sexta-feira, 23 de setembro de 2016

ENTREVISTAS (23) - MANUEL CALDAS (2.ª parte)

Publicamos hoje a segunda e última parte da entrevista que Manuel Caldas concedeu ao nosso blogue. Podem (re)ler a primeira parte clicando aqui.


Manuel Caldas
BDBD - Há quem pense que o Eduardo Teixeira Coelho terá sido convidado a continuar o Príncipe Valente, depois de Foster se ter retirado. Ainda que este facto não seja de todo verdade, acha que o nosso ETC teria sido uma boa escolha?

MC - Essa história é um mito. O próprio José Ruy, que já tantas memórias escreveu sobre o Coelho, nunca a tal se referiu. E está suficientemente bem documentado como aconteceu o processo de sucessão do Foster. Eduardo Teixeira Coelho seria sem dúvida um bom desenhador para o Príncipe Valente, mas não acredito que o quisesse ser, e se, por força de quaisquer circunstâncias, acabasse por sê-lo, de certeza que com o seu individualismo não saberia sujeitar-se a trabalhar subalternizado. O melhor sucessor do Foster teria sido o José Luis Salinas, mas o José Luis Salinas dos anos 30 a 50.

Prancha de Ragnar, por E.T. Coelho
BDBD - A série Ragnar, que ETC desenvolveu, tem influências notórias de Príncipe Valente. Terá sido por isso que surgiu esse boato?

MC - A influência é apenas superficial, na estrutura da prancha e na ausência de balões. Mas até isso muda por completo depois das primeiras 168 pranchas, que, valorizando-as ainda mais, são de formato maior. Aproveito para dizer que tenho todas essas pranchas e o projecto de as publicar em três volumes – assim Cristina Teixeira Coelho o permita e o fim dos tempos não esteja próximo.

BDBD - Como se processou a substituição de Foster, quando este se retirou? Ele teve algum papel na escolha do desenhador que o substituiu? Houve outros candidatos ao lugar, para além de John Cullen Murphy? Fale-nos um pouco acerca disso...

MC - Quem escolheu o seu substituto foi o próprio Foster, entre John Cullen Murphy, Gray Morrow e Wallace Wood .Entregou a cada um deles o esboço de uma prancha diferente e decidiu-se por Murphy, por considerar admirável a forma como desenhava mãos. Foi uma má escolha, digo eu, e, apesar de a maioria da gente a quem tal interessa considerar que Wood seria melhor, eu ficaria, sem hesitar, com Morrow. Nunca com Wood, nem com Murphy.

BDBD - A parceria entre Murphy e Foster funcionava como? Foster escrevia o argumento e deixava depois a Murphy liberdade para executar a prancha, ou dava-lhe indicações precisas acerca de como queria que este a desenhasse?

MC - Foster escrevia o texto (nalguns casos, na sua época de semi-reforma mas nunca antes dela, a partir de histórias criadas por Bill Crouch Jr.), fazia um esboço muito grosseiro de como pretendia que fosse a prancha com as suas vinhetas, escrevia também uma breve descrição de cada uma destas e a partir disso tudo Murphy fazia o seu trabalho, com considerável liberdade criativa. Quando era introduzida uma nova personagem, Foster fazia também desenhos pormenorizados do seu aspecto físico e, se necessário, do traje. Tudo isto e muito mais, está documentado em "Foster e Val". No final, era também Foster a colorir as pranchas desenhadas por Murphy.


BDBD – O Príncipe Valente é uma série “perfeita”, ou também tem coisas que não lhe agradam totalmente? Haverá, por exemplo, algo que Foster pudesse ter escrito ou desenhado melhor, na sua opinião?

MC - Não, não é perfeita, claro. Que eu tal diga, não tem de surpreender, mas talvez surpreenda dizer eu, precisamente eu, que há coisas absolutamente irritantes no Foster. Por exemplo: há muitas vinhetas com partes da anatomia humana absolutamente mal desenhadas, de uma deselegância flagrante, culpa de ele evitar o uso de modelos. E, mesmo sendo um apaixonado por cavalos, nunca desenhou correctamente a sua dentição. Também sempre foi irritante o soberbo desprezo pela coerência na representação dos adereços que se repetem em sucessivas pranchas, e às vezes dentro da mesma prancha.

Hal Foster desenhando Príncipe Valente
BDBD - Considera que, hoje em dia, Foster manteria, junto dos leitores, o nível de popularidade que teve na sua fase de maior esplendor ou teria de adaptar-se aos novos tempos e modificar a forma de contar histórias (eliminando as legendas didascálicas, por exemplo, e passando a usar o balão, ao qual foi tão avesso)?

MC - Quando Foster começou, em 1937, o balão já fazia parte do código da linguagem da banda desenhada há mais de 40 anos, e ele conhecia-o perfeitamente (na sua infância lia os Katzenjammer Kids e até fez bandas desenhadas – que ainda existem – com balões). Portanto, não creio que hoje acabasse por usá-lo. Por outro lado, apesar de só usar legendas didascálicas, sempre foi comedido na quantidade de texto. Provavelmente, uma página do Blake et Mortimer de Jacobs tem três ou quatro vezes mais texto do que uma do Príncipe Valente. Não creio que Foster hoje seria um Foster diferente, nem que precisasse de o ser. Afinal, a sua obra sempre foi e continua a ser reeditada, continuamente e em vários países. Até na Rússia actual!

BDBD - Se tivesse conhecido, um dia, Foster pessoalmente, o que lhe teria dito?

MC - “I’m Prince Valiant fan number one in all the world.”

BDBD - Por motivos que não interessarão aqui focar, o Manuel Caldas deixou de poder publicar a obra-prima de Foster em Portugal e passou a editá-la (com natural sucesso) em língua castelhana. Depois de tantos anos de trabalho e dedicação a uma causa, essa foi uma situação que o entristeceu, ou encarou isso como um ponto de partida para se dedicar a outros projectos que, porventura, não teria pensado publicar no nosso país?

MC - A ganância está sempre ligada à estupidez e aquele que partilha com outro uma galinha de ovos de ouro mas decide roubar-lhe a sua parte até poderia continuar rico se a acarinhasse; não compreendendo isto, tudo perde. A edição portuguesa, estupidamente levada à falência por quem quis ser seu único senhor sem estar minimamente categorizado, deixou-me obviamente entristecido (mas não o suficiente para que me faltassem as energias para apresentar o caso em tribunal) e também significou um enorme abalo económico. Mas, sim, o meu afastamento dela acabou por ser impulso para outros projectos. A edição portuguesa poderia hoje estar mais do que completada, fazendo felizes os editores, a distribuidora e o público. Assim não sendo, todos, todos mesmo, ficaram a perder. E para o público foi uma absoluta falta de respeito.

BDBD – Posta de lado a possibilidade de publicar Príncipe Valente em português, encetou a publicação de outras séries clássicas norte-americanas... O que tem a BD americana de tão especial em relação a outras escolas como a franco-belga, por exemplo, que tanto o atraia?

Capa de Foster e Val
MC - Não tem nada a ver com nenhuma pretensa superioridade geral de uma em relação à outra. Não, pois a banda desenhada franco-belga está cheiinha de excelência. É apenas uma questão de afectos.

BDBD - Por ser um profundo conhecedor de Príncipe Valente, o Manuel Caldas tem publicado, ao longo dos anos, vários textos sobre o assunto, mas numa obra como a de Foster, nunca estará, porventura, tudo dito. Tem planos para editar mais algum artigo de fundo (como em Foster e Val, por exemplo) ou crê que não seria viável outra edição desse tipo? 

MC - Não, há sempre coisas a dizer sobre qualquer coisa, mas eu não tenho vontade de escrever nada mais. Mesmo o Foster e Val só o escrevi porque via que ninguém se decidia a fazê-lo. Por isso é que a primeira versão do livro é bastante pobre, dada a minha imaturidade de então (ainda estava na casa dos vintes!). Aliás, eu tenho cada vez mais dificuldade em escrever bem seja o que for.

Capa de A Lei da Selva
BDBD – Disse-nos há pouco que gostaria de editar Ragnar, de E.T.Coelho, e recentemente lançou num só álbum A Lei da Selva e Bodas Índias, duas memoráveis peças, também deste autor, imaculadamente restauradas por si. Tem
na ideia editar, futuramente, outros clássicos portugueses ou, por ora, essa opção não se coloca?

MC - Nenhum editor publica clássicos da banda desenhada portuguesa se não quer perder dinheiro. Foi por puro amor à arte (e, vá lá, também por alguma vaidade: a de mostrar como se publica de forma ideal certas obras) que fiz a referida edição, com 500 exemplares de tiragem e preço de capa de 12 Euros. Passei quase dois meses a trabalhar aturadamente nela. Alguém acha que se vão esgotar os 500 exemplares? Só para pagar o custo da impressão seria preciso vender nas livrarias 350 exemplares (a distribuidora entrega ao editor 40% do preço de capa), mas alguém acha que se vão vender? Eu não espero tal coisa, mas tinha de fazer essa edição.
Quando um crítico ou divulgador censura um editor por não publicar os clássicos portugueses, desculpem-me que lhe diga: não sabe o que diz!
Portanto, sim: gostaria de publicar mais clássicos, mas não tenho nada planeado. A menos que experimente fazê-lo em print-on-demand, que não exige nenhum investimento significativo e com o qual não se perde dinheiro. É algo em que ando a pensar. 

BDBD - Que projecto gostaria de terminar que ainda não tenha, sequer, começado?

MC - Bem pensados, o meu livrinho de projectos tem mais de uma dúzia. Não vale a pena revelá-los, até porque mais importantes do que esses são aqueles que já comecei, e que são bem uma meia dúzia. De qualquer modo, os interessados em boas edições de obras de outros tempos, da banda desenhada e não só, têm já bastantes edições minhas ao dispor. Dêem uma olhadela em: www.manuelcaldas.com.

Manuel Caldas visto por Paco Nájera
BDBD – Como encara o futuro da banda desenhada? Crê que é uma forma de arte que conseguirá sobreviver às novas tecnologias (vídeo, jogos de computador, internet…) ou, pelo contrário, considera que as novas gerações terão, cada vez mais, tendência a deixar de ler BD?

MC - Parece-me que a tendência é ler-se cada vez menos banda desenhada. Sem dúvida. Só espero que, entretanto, não me falte público suficiente para continuar a viver do que faço. Espero morrer antes disso, ou ao menos não morrer por causa disso.

BDBD - Muito obrigado, Manuel Caldas, pela sua disponibilidade. Apesar desta entrevista se ter revelado bem extensa, fica desde já combinado que voltaremos a conversar de novo um dia, pois outras questões interessantes ficaram por lhe fazer... Até lá, então! 
CR

Notas:

Os interessados em adquirir as publicações da "Libri Impressi" podem consultar a sua página oficial http://www.manuelcaldas.com/ onde encontrarão toda a informação necessária (títulos disponíveis, formas de pagamento, contacto do editor...). Vale a pena uma visita, até porque, como diz Eduardo Martínez-Pinna Vallejo, "(...) são obras feitas por e para amantes de banda desenhada. Se estás entre eles, não podes perde-las." 

As fotos de Manuel Caldas que ilustram esta entrevista foram retiradas do blogue As Leituras do Pedro do nosso colega Pedro Cleto, a quem agradecemos a gentileza.

A caricatura de Manuel Caldas foi retirada, com a devida vénia, do blogue autoresdecomicaricaturizados do excelente caricaturista espanhol Paco Nájera.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

ENTREVISTAS (23) - MANUEL CALDAS (1.ª parte)

Manuel Caldas
Nascido em 1959, Manuel Caldas deu-se a conhecer ao mundo da BD em 1986, quando lançou o primeiro número do fanzine "Nemo", a que se seguiram outros títulos: "Zero", "The ‘Nemo’ Booklets of Classic Comics" e "Sunday Comics" (todos eles muito elogiados pelos conteúdos e pelo cuidado aspecto gráfico que apresentavam, uma característica que já nessa altura ressaltava no trabalho de Caldas).
É por muitos considerado (incluído ele mesmo) como o maior especialista na obra-prima de Hal Foster , Príncipe Valente, sendo autor de um livro (Foster e Val – Os Trabalhos e os Dias do Criador de ‘Prince Valiant’, do qual a editora Dólmen publicou uma tradução espanhola) e de vários artigos sobre esta monumental banda desenhada (espraiados por fanzines, jornais, revistas ou álbuns BD), onde denota profundo conhecimento e enorme devoção pela série.
O seu contributo à obra de Foster, contudo, não se ficou por aqui, bem pelo contrário. Com uma dedicação e uma paciência ímpares, próprias de quem ama aquilo que faz, Manuel Caldas restaurou meticulosamente as páginas de Príncipe Valente, que durante anos recolheu e coleccionou com persistência, e propôs-se edita-las em vários tomos, com um nível nunca antes atingido, pondo, finalmente, ao dispor dos leitores a maravilhosa arte de Foster, em todo o seu esplendor.
Em 2005, deixou de lado o emprego (era auxiliar de acção educativa) para fazer aquilo que, verdadeiramente o preenchia: sob o selo "Livros de Papel" (“Libri Impressi” depois), passou a dedicar-se profissionalmente à edição de livros de banda desenhada e ilustração.
Sob o selo “Livros de Papel” se iniciou a publicação de Príncipe Valente. Todavia, após seis volumes e um desentendimento irreversível com o sócio que o acompanhava nesse projecto, viu-se privado de poder continuar a publicar em português.
Contornou, de alguma maneira, o problema publicando versões da obra-prima de Foster em espanhol, granjeando enorme sucesso.
Nos últimos anos, tem-se dedicado, também, ao restauro e à edição de outros clássicos americanos igualmente famosos como Lance (de Warren Tufts), Tarzan (de Russ Maning), Cisco Kid (de José Luis Salinas) ou Hägar (de Dik Browne).
Recentemente lançou, num só volume, A Lei da Selva e Bodas Índias, duas pérolas de Eduardo Teixeira Coelho que restaurou e decidiu publicar “por amor à Arte”.
Pretende, um dia, entre imensas outras coisas, editar a série Ragnar, também de E. T. Coelho.
Acedeu a dar-nos esta entrevista, onde nos focámos, como não poderia deixar de ser, na relação de Caldas com o personagem-ícone de Foster, Príncipe Valente.
Por ser demasiado extensa para publicar de uma só vez, dividimo-la em duas partes, das quais publicamos hoje a primeira; a segunda ficará disponível nos próximos dias.
Boas leituras.
CR


BDBD - O Príncipe Valente foi sempre o seu personagem de eleição ou já tinha começado a ler e a interessar-se por BD com outros heróis/séries?
       
Manuel Caldas (MC) - A banda desenhada começou a atrair-me lá pelos cinco, seis anos, mas, tal como escrevi no meu livro Foster e Val, a paixão pelo Príncipe Valente só brotou, e de forma arrebatadora, pouco depois de fazer onze anos, quando, coleccionando eu o suplemento dominical de O Primeiro de Janeiro por causa das pranchas de Walt Disney, o meu pai me chamou a atenção para a qualidade dos desenhos de Príncipe Valente, que aparecia também no mesmo suplemento, a cores. Até então, a série do Foster só me tinha chamado a atenção porque “era uma história que nunca mais chegava ao fim”, mas a observação do meu pai, tão simples e espontânea, levou-me a olhar para ele com atenção e, num instante, a, pode dizer-se, mudar a minha vida.

BDBD - O que faz com que, na sua opinião, o Príncipe Valente seja uma obra diferente das outras? 

MC - Como a minha opinião é a mesma do bom e velho João P. Boléo mas com palavras ele sabe exprimi-la melhor, leio o que ele escreveu num artigo publicado na revista do Expresso de 17 de Março de 1990: “Príncipe Valente é (…) uma das mais maravilhosas e monumentais BD’s de sempre, e uma daquelas em que é mais perene o prazer visual e literário, o gosto de ver e de ler (…), sendo o Príncipe Valente obviamente sério candidato à BD mais bem desenhada de sempre (…). Foster (…) criou uma série em muitos aspectos inovadora e precursora, globalmente única. Com um traço minucioso e de uma extrema elegância e delicadeza, grande sentido arquitectónico e paisagístico e um cuidadosíssimo rigor documental, a beleza clássica de cada ‘quadradinho’ não só tem uma dinâmica interna que permite falar com frequência em ‘vinheta-sequência’ como se inscreve numa harmoniosa sucessão narrativa em que texto e imagem se complementam, por vezes ironicamente, sem qualquer redundância. (…) Acompanhamos assim uma epopeia que se desenvolve lenta e sumptuosamente, não em episódios independentes, mas no contínuo fluir dos momentos de uma vida no seu todo orgânico, enquadrada pelos ciclos da Natureza que Foster conhecia tão profundamente, em que os personagens crescem, amam, têm filhos, lutam, trabalham, divertem-se, sofrem, envelhecem, têm uma psicologia elaborada e de dimensão humana, nunca totalmente bons ou maus, com medos e valentias, ternuras e superstições”.

BDBD – Percebe-se que todos estes motivos o tenham levado a iniciar a sua colecção de revistas, álbuns e livros sobre a série… Teve logo, nessa altura, a curiosidade de saber como nascera o Príncipe Valente, quem o desenhava, onde se publicava, enfim, saber algo mais do que simplesmente ler as aventuras do personagem?

MC - Essa curiosidade pelos bastidores, tanto quanto me lembro, sempre fez parte de mim. E graças se dêem a Vasco Granja, no Tintin, e a Roussado Pinto, no Jornal do Cuto, por terem sabido alimentá-la abundantemente. Claro, nos anos 70 não havia nem a facilidade de acesso à informação nem a abundância que há hoje com a internet, mas aquelas pessoas e aquelas revistas fizeram um trabalho extraordinário (apesar de a Roussado Pinto faltar o pudor para não inventar o que não sabia…).

Manuel Caldas com algumas páginas
de jornais norte-americanos da sua colecção
BDBD – Quando passou, mais tarde, a coleccionar páginas de jornais norte-americanos onde a série se publicava, sonhou sempre completar essa colecção ou, a princípio, isso não lhe passava sequer pela cabeça, atendendo à previsível dificuldade da tarefa?

MC - Quando me meti na compra das enormes páginas de jornais americanos não foi para fazer um colecção completa mas sim para tapar lacunas. É que, na altura, já tinha, umas partes numa língua e outras noutras, todo o Príncipe Valente do Foster, mas, por outro lado, havia constatado que na sua maioria as pranchas não se encontravam correctamente reproduzidas em edição alguma. Era preciso, portanto, recorrer aos jornais em que primeiramente se publicaram.

BDBD - De uma maneira geral, a impressão dos jornais norte-americanos da época era "boa", atendendo aos meios existentes na altura?

MC - Era muito variável, podendo ir do bastante mau ao muito bom, consoante as máquinas de impressão que se usavam, pois uma mesma página de uma banda desenhada podia aparecer simultaneamente em dezenas ou centenas de jornais dos Estados Unidos. Mas, por muito boa que fosse a impressão, o papel de jornal e a própria técnica de impressão (que não era a mesma das revistas) limitava sempre o resultado.

BDBD – Ao longo dos anos, a pouca qualidade na impressão da série, bem como as adulterações sofridas pela mesma em algumas publicações (com cortes e acrescentos, como era usual na época), foram suficientes para o convencer a restaurar e editar o Príncipe Valente com a excelência com que o fez, ou existiram outros factores que também contribuíram para isso?

MC - Sim, foram esses os factores. Era necessário publicar as páginas com a melhor qualidade possível. Mas é interessante constatar como, apesar de ser na maior parte das vezes pobremente reproduzidos, os desenhos de Hal Foster não perdiam a capacidade de deslumbrar. E é que houve imensas edições em que foram tratados abaixo de cão!
O Príncipe Valente, conforme foi
publicado no "Mundo de Aventuras"

BDBD - Quais foram os maiores “atentados” que a obra de Foster sofreu, na sua opinião?

MC - Todos aqueles que sofriam as histórias aos quadradinhos noutros tempos: cortes nas vinhetas, acrescentos, supressões, recoloridos horrendos, traduções condensadas. Ainda mais grave foram as edições que a partir dos anos 70 se fizeram apresentando-se como de “luxo” e sendo absolutamente más, como o 2.º volume da SERG e a maior parte dos álbuns das Ediciones BO. E os volumes mais recentemente publicados em Portugal, com o período de 1949 a 1954, merecem a mesma classificação.

BDBD - Quais são as maiores dificuldades que encontra quando restaura uma página de banda desenhada?

MC - Uma imagem cujas linhas sejam espessas, firmes e sumárias, é trabalho fácil, o que não significa que seja rápido. Estão neste caso as de The Kin-Der-Kids, que, no entanto, me custou cada uma dois dias em cheio. Já o Príncipe Valente ou o Cisco Kid são coisas muito mais difíceis, pela variedade de espessura das linhas e também porque têm tramas cujos pontinhos, quando estragados, não podem ser substituídos desordenadamente. E quando no meio das tramas estragadas, quase transformadas numa mancha negra, há linhas, o restauro pode ser impossível. Por outro lado, restaurar a cor é mais fácil do que restaurar as linhas.

BDBD - Há espaços que tem de recriar intuitivamente (quando a página tem um rasgão ou uma mancha, por exemplo)? O que faz, nessas situações?

MC - Uma coisa é restaurar, outra é recriar. Procuro nunca ter de recriar nada, e quase nunca o fiz, e quando o fiz foi numa porção pequena do desenho. Ou seja: se me vejo na necessidade de recriar, prefiro atrasar o trabalho e procurar material em melhores condições.

BDBD – Bem sei que cada caso é um caso mas, em média, quantas horas leva a restaurar uma prancha? 

MC - Quando partia de material sofrível do Príncipe Valente, esforçava-me por completar uma página por dia (treze, catorze horas) e na maior parte das vezes conseguia. Foi assim que aconteceu, por exemplo (lembro-me especialmente, pois tinha imposto a mim mesmo uma meta) com o volume de 1951-52 produzido para a edição uruguaia. Agora tenho material que permite uma restauração excelente (graças a Deus!) e consigo completar uma prancha em menos de metade do tempo.


Capa de "El Santo y el Ogro",
12.º volume de Príncipe Valiente (1959-1960)
BDBD – Em relação às capas dos álbuns, que critérios usa para escolher as gravuras?

MC - Não sei explicar. Sei que tem de me agradar, claro. O que desde o princípio tentei é que as capas fossem melhores do que costumavam ser em todas as edições que por todo o lado se faziam. A do volume português correspondente ao ano de 1941-42 até a desenhei (e colori) no tamanho de uma folha de cartolina.

BDBD - O que sente quando termina o restauro de um álbum e o coloca à venda?

MC - Quando comecei com a edição portuguesa, nessas ocasiões sentia um grande entusiasmo e alívio, e a vontade de descansar algum tempo antes de me meter no seguinte. Agora e desde que passei a viver só da edição já não há nenhuma emoção especial. Quando termino um livro, já tenho outro em mãos e nem me dedico devidamente à promoção do que acabei. Quase sempre até deixo passar o prazo que a gráfica fixa mas quase nunca cumpre para a entrega do livro, e só começo a pressioná-la fora de tempo.

BDBD - Creio que, hoje em dia, a série continua a publicar-se. Mesmo tendo em conta a enorme responsabilidade que terá sido substituir um gigante como Foster, que opinião tem acerca do trabalho que os seus continuadores realizaram?

MC - Sim, a série continua, por autores de cujos nomes agora não me lembro nem vale a pena averiguar. Príncipe Valente deveria ter morrido com o seu criador, e como ele mesmo planeara em anos anteriores. Mudou de opinião quando a velhice já não lhe garantia a necessária lucidez de espírito e quando o corpo já necessitava dos cuidados que ele pensou que só seriam garantidos com o dinheiro resultante da venda da sua obra e do direito de a explorarem. O que os seus continuadores fizeram e vão fazendo é, no mínimo, indigno do título Prince Valiant.

BDBD – Foster deixou algum registo, falado ou escrito, sobre a forma como teria planeado terminar com o Príncipe Valente?

MC – Fala disso em mais do que uma entrevista. Diz que numa altura da sua vida tinha tudo planeado: numa grande batalha morreriam todos os cavaleiros do rei Artur, incluído Val. Depois mudaria de ideias, tencionando levar Val à velhice e passando o protagonismo para o filho dele. Quando decidiu reformar-se e passou a apenas escrever, sendo os desenhos feitos por John Cullen Murphy, a sua ideia continuou a ser a certa altura pôr fim à serie, mas compreendeu que tendo Murphy a seu encargo um grande número de filhos não estaria bem privá-lo do seu ganha-pão.
(continua)

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

NOVIDADES EDITORIAIS (101)

LES TROIS PERLES DE SA-SKYA - Edição Lombard. Argumento de Jean Van Hamme, traço de Christophe Simon e cores de Alexandre Carpentier, segundo a obra original de Paul Cuvelier (1923-1978), ou seja, a encantadora série “Corentin”.
Vários anos volvidos, neste 2016, Corentin faz 70 anos, pois nasceu a 26 de Setembro de 1946, com argumento de Jacques Van Melkebeke.
As Éditions du Lombard (Bélgica) resolveram, e muito bem, homenagear o herói com um novo álbum, o oitavo: “Les Trois Perles de Sa-Skya”.
O garoto órfão Corentin Feldoé, foge da Bretanha aos maus tratos de seu tio e embarca clandestinamente num veleiro. Este naufraga nas costas indianas e o adolescente escapa-se e aí encontra três fiéis companheiros: o gorila Belzébuth, o tigre Moloch e o jovem indiano Kim. E também índia, exótica e perigosa, se torna amigo da princesa Sa-Skya e do rajá seu pai, que o protege...
Neste álbum, Corentin, já não é um garoto astuto e temerário, mas um rapagão, sempre corajoso e leal e, talvez casadoiro... Não se vai livrar de angustiantes situações até que tudo se resolva em final feliz.
Salienta-se em especial, o magnífico traço de Christophe Simon, que foi um aplicado discípulo de mestre Jacques Martin.

 
HISTÓRIAS DE VALDEVEZ - Edição Âncora. Autor: José Ruy.
É um feliz álbum pelo talento de mestre José Ruy que, como sempre, bem se esmerou em trabalhar na história desta famosa região minhota.
É o álbum que comemora os 500 anos do Foral outorgado por El-Rei D. Manuel I.
Mas, pela narrativa, muitos aspectos curiosos e históricos, nos são revelados ou recordados, como por exemplo, as origens do nome de Valdevez (e depois e porquê, Arcos de Valdevez), como Dom Afonso Henriques confirmou que tal região era de Portugal (ainda a nascer...) e não dos reinos unidos de Leão e Castela, e por aí adiante...
“Histórias de Valdevez” é um álbum que merece atenta leitura. Por ele, estão de parabéns, José Ruy, a Âncora Editora e o Município de Arcos de Valdevez.

LES ONZE MILLE VIERGES - Edição Glénat. Autor: Ralf König.
A história de Santa Úrsula e as Onze Mil Virgens é uma lenda muito antiga e muito conveniente à Igreja Católica. Mas tudo isso não passará do lendário maravilhoso...
O atento e genialmente sarcástico alemão Ralf König deslumbra-nos com esta grande paródia onde desmantela toda a hipocrisia e castidades das beatices...
Uma loucura hilariante para leitores capazes, salvo aqueles que, por demência ou ingenuidade, ainda “acreditam no Pai Natal”...
Bravo, Ralf König!
LB

terça-feira, 13 de setembro de 2016

PELA BD DOS OUTROS (21) - A BD DO CHILE

Localização do Chile no continente sul-americano
O Chile é um país muito longitudinal e extenso na costa oeste do continente sul-americano. Independente da Espanha desde o século XIX, tem por capital a cidade de Santiago e por moeda o peso chileno. Gere oficialmente algum espaço territorial na Antártida e algumas famosas ilhas no Oceano Pacífico, como a célebre Ilha da Páscoa ou Rapa Nui (no idioma local).
Maioritariamente, a língua oficial é o castelhano, mas aí vigoram também idiomas locais, como mapuche, aimara, atacamenho, quéchua e outros mais.
Se tem uma boa notariedade por várias modalidades desportivas, todo o seu panorama cultural é invejável... Pela Música e/ou Canção, destacam-se Victor Jara, Violeta Parra e Inti-Illimani. Na Escultura, Lautaro Diaz, Aura Castro, etc. 
Von Pilsener, um dos
personagens-ícone da BD chilena
Na Pintura, Claudio Bravo, Pedro Lobos, etc. Na Literatura, distinguem-se Gabriela Mistral (Prémio Nobel da Literatura - 1945), Pablo Neruda (Prémio Nobel da Literatura - 1971), José Donoso, Isabel Allende, Nicanor Parra, etc. Actores mais famosos: Ignacio Garmendia, Catalina Palácios, Cristian de la Fuente, Lota Moncada, etc.
E, finalmente, a Banda Desenhada.
O panorama chileno da Banda Desenhada é muito belo, extenso e rico. Tem bons e altos valores, embora ainda quase nada conhecido em Portugal...
Para já, salientamos dois personagens-ícones da BD do Chile: Federico Von Pilsener Condorito.
Da imensa legião de altos valores de desenhistas deste país andino, demarcamos:

Vicar (aliás, Victor Arriaga Rios, que trabalhou, também, para a Disney)...
Prancha de "Por un Portillo!...", por Vicar
O Pato Donald, desenhado por Vicar
Nelson Castillo...
A série "Section Trident: De Profundis", de Nelson Castillo, publicada pela Dupuis
Gabriel Rodriguez...
Capa e prancha de "Secret Show", com desenho de Gabriel Rodriguez
Themo Lobos...
O traço humorístico de Themo Lobos
Pepe Huinca... 
"Campecho", por Pepe Huinca
"Rompimiento", por Pepe Huinca
Alberto Montt... 
O humor impagável de Alberto Montti
Maximo Carvajal...
A arte de Maximo Carvajal
Guido Vallejos...
Prancha de "Barrabases", por Guido Vallejos
Pepo (aliás, René Rios Boettinger, criador do ultra famoso “Condorito”)...
Primeira aventura de "Condorito", por René Rios Boettinger (Pepo), in "Okey" (1949)
Outra aventura de "Condorito", personagem que imortalizou Pepo
e... o tão controverso Alejandro Jodorowsky.
Este, sempre admiravelmente contundente, nascido no Chile e de origens judaico-europeias, abraçou várias vertentes artísticas, mas firmando-se essencialmente como argumentista.
Capa de "Los Ojos del Gato" (Ed. Norma Editorial), trabalho conjunto de
Moebius (desenhos) e Jodorowsky (texto)

Pela sua história, a BD Chilena enforma-se em quatro períodos:
1 - O período de 1906 a 1945, sob notória influência europeia. E é logo em 1906, que nasce o primeiro personagem da 9.ª Arte Chilena: Federico Von Pilsener, criado por Lustig (aliás, Pedro Subercaseaux, nascido em Itália em 1880 e falecido no Chile em 1956). Por esta época, publicava-se esta Arte em diversos periódicos.
2 - De 1945 a 1973, acontece o período que é considerado o da Idade de Oiro da Historieta Chilena. Por aqui se revelam grandes desenhistas (algumas vezes também, argumentistas de si próprios), como Oskar (aliás, Tomás Etcheverry, 1945-2007), Guido Vallejos, Themo Lobos (1928-2012), Pepo (aliás, René Boettiger, 1911-2000), Pepe Huinca (aliás. Jorge Vivanco, 1942-2004), Vicar (1934-2012), Máximo Carvajal e muitos outros mais.
Em 1955, nasce o famoso Condorito, sob criação de Pepo.
Por este período, circulam revistas específicas, como ”Okey”, “El Pinguino”, “Risos de Pepe Antártico”, “Mampato”, “Rocket” e “La Chiva”.
3 - De 1973 a 1989, é o período da decadência. A situação da BD Chilena funciona aos altos e baixos e talvez, um tanto desnorteada...
4 - A partir de 1990 e até à actualidade, funciona um belo período de seguro e popular ressurgimento, também com o aparecimento do fanzinismo e de auto-publicações. Deste novo período, também novos valores se impõem, como Gabriel Rodriguez, Alberto Montt (nascido no Equador, mas residente no Chile, onde se naturalizou), Nelson Castillo, Marcela Trujillo, Francisca Meneses, Hernán Vidal, etc.
Nos fins de Novembro de 2010, foi inaugurado na capital chilena o Museo de la Historieta de Chileque mantém diversas actividades referentes à 9.ª Arte.
Em 2008, pelo processo de fascículos e num colectivo de argumentistas e de desenhistas, foi honrosamente publicada a obra “História de Chile en Cómic”.
Mas, já em 2006, também em Santiago, foi inaugurado o sedutor e exemplar “Parque del Cómic de San Miguel”, espécie de museu ao ar livre, englobando estátuas e vinhetas em cerâmica. Que maravilha!...
Que exemplos neste atento Chile!... Pois, os chilenos tanto “perdem a cabeça” pelo futebol, o ténis, o hóquei em patins, o atletismo, etc, como pelo Teatro, a Poesia, a Pintura, o Bailado, a Banda Desenhada, etc. Bravo!
Que exemplar este maravilhoso Chile! Mesmo tal e qual como em Portugal!...
Ah!Ah!Ah! (no meu frontal sarcasmo...)
LB


Alguns dos maiores nomes da BD chilena: Pepo, Vicar, Gabriel Rodriguez, Alberto Montt, Maximo Carvajal e Alejandro Jodorowsky

sábado, 10 de setembro de 2016

NOVIDADES EDITORIAIS (100)

MASTER GÉNIE - Edição Lombard. Argumentos de Zidrou e arte de Turk.
Aqui está de novo a irresistível tribo da série "Leonard", agora no 47.º tomo: o terrível sábio e inventor Léonard, o seu ingénuo e sofredor discípulo Basile, o pândego gato comentador Raoul, a atenta e socorrista ratinha Bernardette, a poderosa governanta Mathurine e... Yorick, a bizarra caveira falante que também faz os seus juízos.
“Master Génie”, na sua paródia, aborda o célebre programa televisivo “Master Chief”, pois desta vez, o sábio quer inventar receitas únicas... Pois sim!
Não nos recordamos se esta situação já aconteceu em álbuns anteriores, mas desta vez, por duas ocasiões, Léonard é que se vê na contingência de ser ele o agredido (ou justiciado): na prancha 23, por Mathurine; e na prancha 42, por Basile, enfim, cheio de coragem.

 
INFANTE DOM HENRIQUE - Edição GICAV.
Neste mini-álbum, registam-se em salutar repescagem, duas versões em BD sobre a vida do impulsionador da invejável epopeia dos Descobrimentos Portugueses.
A primeira, por José Ruy, contém 16 pranchas (capa incluída) e teve edição do autor em 1960. A outra, por Baptista Mendes, em 5 pranchas (capa incluída), teve a sua estreia, também em 1960, no “Cavaleiro Andante” n.º 430.
Duas versões que se lêem ou relêem com muito agrado. Este álbum foi lançado a 28 de Agosto, em Viseu, no dia da inauguração de uma exposição de Banda Desenhada dedicada, precisamente, ao Infante D. Henrique.
Os interessados nesta obra, devem contactar para: luismacua@gmail.com 

VALHARD, INTÉGRALE/2 - Edição Dupuis. Argumentos de Jean Doisy, Eddy Paape e Ivan Delport, e arte de Eddy Paape. Narrativas criadas de 1946 a 1950.
Este volumoso tomo, tem logo no início, um precioso dossiê onde se fala dos três autores em questão (e onde não se esquecem as menções a Jijé, o primeiro desenhista deste herói) e do herói Jean Valhardi, que tem como seu frequente parceiro, o corajoso adolescente Jacquot.
Depois, seguem-se seis aventuras, marcando o início de Paape a desenhar este herói. As três primeiras, “Sur le Rail”, “Jean Valhardi et les Rubens” e “Diamants Artificiels”, têm argumentos (fracos a nosso ver) de Jean Doisy. A quarta e mais longa narrativa, “Valhardi Detective”, é de exclusiva autoria de Eddy Paape. As duas últimas aventuras, “Le Roc du Diable” e “À la Pursuite de Max Clair”, têm argumentos mais conseguidos de Ivan Delport.
Nota curiosa: no final de “Le Roc du Diable”, há breves momentos localizados nos nossos Açores.
LB

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

O INFANTE D. HENRIQUE EM VISEU

Conforme se anunciou, no passado dia 28 foi inaugurada uma exposição-BD dedicada ao Infante D. Henrique, em Viseu.
Este príncipe da “Ínclita Geração”, não só foi o “criador” dos épicos descobrimentos de Portugal, como foi o primeiro Duque de Viseu e o primeiro gestor da famosa Feira de S. Mateus.
exposição estará patente até ao próximo domingo, 11 de Setembro. Foi inaugurada pelo Sr. Presidente da Câmara Municipal de Viseu, Almeida Henriques. Apesar do calor, não faltou aí um outro calor, bem mais grato, o da imensa presença de público.
Após uma visita guiada pelo “cicerone” Carlos Alberto Almeida, do GICAV, noutro espaço teve lugar a sessão de homenagens a José Ruy e a Carlos Baptista Mendes, que receberam o Troféu Anim’arte, atribuído pelo GICAV.
Na mesa, presidida por Almeida Henriques, estavam dois dirigentes e fundadores do GICAV, Luís Filipe Mendes e Carlos Alberto Almeida, e os dois homenageados. Depois dos breves discursos de todos e da entrega dos Troféus, fez-se a apresentação do mini-álbum dedicado a D. Henrique (falaremos dele noutra rubrica deste blogue) e seguiu-se uma concorrida sessão de autógrafos.
Da exposição consta uma vintena de painéis com pranchas de diversos artistas nacionais e estrangeiros e, também, cerca  de outra vintena de quadros com “retratos” do Infante, propositadamente elaborados por artistas nacionais, alguns deles residentes na zona de Viseu.
Tudo muito conseguido, pelo que todas as entidades que organizaram este belo evento estão de parabéns.
Algumas presenças notáveis: os desenhistas Artur Correia, Eugénio Silva e António Lança Guerreiro, o editor e divulgador Geraldes Lino e, a representar o Clube Português de Banda Desenhada, Carlos Gonçalves.
Para o ano há mais, mas o tema ainda está no “segredo dos deuses”.

Nota: As fotos aqui publicadas são de Luiz Beira e Joana Mendes (a quem agradecemos a gentileza).
LB
Panorâmica de uma das alas da exposição.
Carlos Gonçalves e Geraldes Lino, em amena cavaqueira.
Dois visitantes atentos e interessados.
Luís Filipe (de pólo castanho), explica como uma associação com poucos recursos como é o Gicav
consegue, todos os anos, organizar exposições desta qualidade. 
Carlos Baptista Mendes, posando junto ao painel onde se faz referência
ao seu excelente álbum "Infante D. Henrique".
José Ruy deixou, por um dia, em stand-by "A Ilha do Corvo que Venceu os Piratas"
(cuja evolução aqui temos acompanhado, regularmente).
A homenagem em Viseu impunha, naturalmente, a sua presença.
A exposição decorreu no Pavilhão Multiusos da Feira de S. Mateus.
Da esquerda para a direita: Carlos Alberto Almeida (do Gicav), o presidente da Câmara de Viseu
Almeida Henriques, Luís Filipe (também do Gicav) e José Ruy.
A mesa de honra composta por (da esquerda para a direita) Carlos Alberto Almeida,
Luís Filipe Mendes, Almeida Henriques, José Ruy e Baptista Mendes.
A sessão de homenagens teve uma boa assistência.
O Presidente da Câmara de Viseu, Almeida Henriques, entrega os Troféus Anim'arte a José Ruy...
...e a Carlos Baptista Mendes.
Artur Correia, Luís Filipe Mendes, Luiz Beira e Geraldes Lino.
Os homenageados autografando o álbum conjunto, com histórias do Infante Dom Henrique,
que o Gicav lançou nessa mesma tarde. Dele falaremos em breve no BDBD.
José Ruy e Baptista Mendes, estiveram largos minutos a autografar...
...como se pode comprovar pela fila de leitores que, pacientemente aguardavam a sua vez.
Ladeado por António Lança Guerreiro e Eugénio Silva, Carlos Almeida (responsável pelo
departamento BD do Gicav) mostrava-se satisfeito com o decorrer da sessão.
Geraldes Lino, Artur Correia e Carlos Gonçalves, três nomes incontornáveis da BD portuguesa.