sábado, 14 de janeiro de 2017

VISEU HOMENAGEIA LUIZ BEIRA!

No próximo dia 28 de Janeiro, sábado, pelas 16:00 horas, a Câmara Municipal de Viseu (CMV) e o Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu (Gicav) promoverão uma justíssima homenagem a Luiz Beira - meu ilustre amigo e colega de blogue -, integrada nas Comemorações do 15.º Aniversário da Biblioteca Municipal Dom Miguel da Silva.
Estas comemorações visam homenagear algumas das figuras que mais se notabilizaram neste período de vida da Biblioteca e o nome de Luiz Beira - o primeiro de um conjunto de doze - vem a propósito uma vez que, como é sabido, doou a Viseu grande parte do seu acervo de banda desenhada com a finalidade de aí ser fundada uma Bedeteca, o que viria oficialmente a acontecer em 31 de Maio de 2002.
Na Bedeteca Luiz Beira (que está acoplada à Biblioteca Municipal Dom Miguel da Silva) podem ser consultados milhares de documentos como sejam álbuns, revistas e fanzines de banda desenhada (alguns dos quais de incontestável raridade e valor histórico), bem como livros de Teatro, Poesia e outros temas.
Mas Luiz Beira está intimamente ligado à cidade de Viriato, não só através da Bedeteca como do próprio salão de banda desenhada, cuja génese em muito se deve às digressões que, inicialmente, as exposições das Jornadas BD da Sobreda (também elas uma criação de Luiz Beira), faziam a Viseu.
E não poderíamos, obviamente, esquecer a longa e assídua colaboração com a revista "Anim'Arte" (que ainda mantém) ou a publicação de todas as peças de Teatro que o Gicav lhe editou, em seis volumes, há alguns anos.
É, pois, por tudo isto e com inteira justiça que a CMV e o Gicav se preparam para homenagear este amante das Artes, inaugurando uma exposição que permanecerá patente ao público até dia 22 de Abril.
Quem puder deslocar-se a Viseu, no dia 28, e assistir à homenagem pública, será muito bem-vindo pois o Luiz merece, nesse dia tão especial para ele, estar verdadeiramente entre amigos (e são muitos os que a Banda Desenhada, o Teatro, o Cinema e a Televisão lhe têm trazido ao longo dos anos...). Fica o convite feito.
Eu, por mim, lá estarei para lhe dar um fraternal abraço, participar na festa e fazer a merecida reportagem para publicar, dentro de dias, no nosso blogue... 
CR


quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

SÉRIES DE TIRAS BD (8) - BARTOON

"Bartoon" é a terceira série de tiras, escrita e desenhada por Luís Afonso, de que falamos nesta rubrica do BDBD.  Não será caso para grande admiração uma vez que as séries produzidas pelo cartunista alentejano são, reconhecidamente, de excelente nível.
O "Bartoon" não foge a esta regra e há, até, quem a considere como a melhor série que Luís Afonso criou até hoje.
Surgiu em 1993 (vai para 24 anos!), quando Luís Afonso foi convidado pelo jornal "Público" a desenvolver um cartune para substituir o espaço que Sam - outro cartunista português de nomeada - deixara vago, após falecer.
Por essa altura, Luís Afonso era responsável no jornal "A Bola" pela série "Barba e Cabelo" (da qual já aqui falámos), que tratava de assuntos futebolísticos, e na "Grande Reportagem" dava vida a "Lopes, Escritor Pós-Moderno". Ora o que o "Público" pedia era um cartune com temas políticos e sociais e essa era uma área em que Luís Afonso queria trabalhar com mais regularidade.
Assim, rapidamente avançou para a concepção duma série, num cenário onde pudesse colocar vários personagens à conversa, sobre assuntos políticos, ambientais, económicos, sociais, etc...
Pensou de imediato num bar (levemente inspirado num bar de jornalistas que havia perto do Bairro Alto), ambiente mais que propício para a necessária "rotação" de personagens, sendo o barman o único personagem fixo da série. É ele, normalmente, quem remata o tema tratado, com uma tirada a propósito, que deixa os leitores do "Público" de sorriso nos lábios. 
Sempre com quatro vinhetas, o "Bartoon" começou por ser publicado em formato quadrado mas passou, depois, ao formato de tira, que ainda mantém. É desta última fase que apresentamos alguns exemplos.
CR









sábado, 7 de janeiro de 2017

NOVIDADES EDITORIAIS (111)

PEREIRA PRÉTEND - Edição Sarbacane. Autor: Pierre-Henry Gomont, segundo o romance do ítalo-português Antonio Tabucchi.
Este grande senhor das Letras, nasceu em Itália, na região de Pisa, a 24 de Setembro de 1943. Esteve muito ligado à Universidade de Siena, mas apaixonou-se por Portugal, pela Literatura Portuguesa, casou com uma portuguesa e em Lisboa faleceu a 25 de Março de 2012.
Se sempre amou a sua Itália natal, jamais deixou também de amar Portugal que adoptou e o adoptou. Grazie, signore Tabucchi!
Sua obra de encanto: “Sostiene Pereira”, em português “Afirma Pereira”, agora em Banda Desenhada pela editora francófona Sarbacane, “Pereira Prétend”. Um luxo e uma honra!
Esta mesma obra deu lugar a um filme em 1995, realizado por Roberto Faenza, rodado sobretudo em Lisboa, com actores portugueses (Joaquim de Almeida, Teresa Madruga, Nicolau Breyner, etc.), franceses e, logicamente, italianos, como o saudoso e brilhante Marcello Mastroiani no personagem principal. Outro luxo!
Agora em Banda Desenhada, uma obra bem conseguida pelo talentoso francês Pierre-Henry Gomont, que visitou Portugal em 2015, para se documentar devidamente. E que belas são as ilustrações!...
“Pereira Prétend”, é obra de absoluta e obrigatória leitura.

A HISTÓRIA DE SILVES EM BD - Edição da Câmara Municipal de Silves. Autor: José Garcês.
Esta obra, bem urdida por mestre José Garcês, teve a sua “odisseia”... Há muito programada por uns e por outros, finalmente... chegou!
Convém conhecê-la, no mínimo pelos silvenses, pois a estes é especialmente dedicada. E vale a pena!
Uma pequena correcção: na página 34, na sexta vinheta, a rainha é D. Maria II e não a sua bisavó, D. Maria I. De acordo?
Outra questão, impossível de se deixar passar em branco: na biografia do autor, há um “estranho lapso”. Não se menciona que José Garcês  também foi homenageado na “Sobreda-BD /1987” e no “Moura BD 1995”. Aqui fica um devido e correcto registo!...
José Garcês, como qualquer outro dos nossos grandes e incontestáveis desenhistas, é tão honrado sob as luzes da admiração e das estima de grandes festas da BD, neste caso, da Amadora, Lisboa ou Viseu e até na italiana Luca, como o é, também, na sincera estima das humildes Sobreda e Moura.
E... estamos conversados!


LA POMME DE DISCORDE - Edição Glénat. Argumento de Clotilde Bruneau, arte de Pierre Taranzano, segundo a ideia de Luc Ferry.
“La Sagesse de Mythes” é uma série de portentosa força cultural (que vai ter vários tomos, consoante os temas), por forte e consciente aposta editorial da famosa Glénat. Pois... parabéns Glénat!
Tomara nós, termos em Portugal, uma editora assim tão apostada na força da Cultura e esquecer de vez em quando o furor pela caixa facturadora!...
“La Pomme de Discorde” é o primeiro tomo da trilogia que, desde já se imagina de qualidade total, “L’Illiade”, segundo Homero. Tem absoluta qualidade pela equipa que a elabora com um aplaudível apoio consciente de toda a engrenagem editorial e inteligente que por aqui se faz funcionar.
Bravo, Glénat!

O TESTAMENTO DE WILLIAM S. - Edição Asa. Argumento de Yves Sente, arte de André Juillard, cores de Madeleine Demille e tradução de Sara Moreira.
Pois, as aventuras de Blake Mortimer, são e serão sempre bem-vindas, sobretudo quando há um belo capricho construtivo de quem elabora e continua a elaborar esta série-BD de honra.
E este belo tomo, “O Testamento de William S.”, com todo o seu misterioso e intrigante título, não nos deixa nem apagados nem indiferentes.
LB

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

EVOCANDO (22)... TIBET

Tibet (1931-2010)
Ele faleceu há sete anos, precisamente a 3 de Janeiro de 2010. Nasceu em França, em Marselha, a 29 de Outubro de 1931, vindo a falecer em Roquebrune-sur-Argens (França). Embora desde muito jovem residente com a família  na Bélgica, nunca deixou a sua nacionalidade francesa.
Veio pela primeira e única vez a Portugal para ser homenageado ao vivo, no salão “Sobreda-BD / 1995”, onde recebeu o Troféu Sobredão.
Tem uma obra imensa de Banda Desenhada, tanto na linha humorística (a sua favorita) como na realista.
De seu nome próprio Gilbert Gascard, ele é o inesquecível TIBET.
Gigante no seu traço claro, também foi um extraordinário caricaturista e cartunista. Como caricaturista, tem o seu álbum “La Tibetière”, abordando figuras de famosos da Política, das Artes e do Desporto, como Charlie Chaplin, Louis de Funès e até, uma auto-caricatura.
 Charlie Chaplin e Louis de Funès caricaturados por Tibet

Quando veio a Portugal, em sua homenagem, o Grupo Bedéfilo Sobredense (GBS), editou-lhe  um mini-álbum extra da série-colecção “Cadernos Sobreda-BD”, onde se reúne uma breve biografia e se reedita a aventura em média metragem de Ric Hochet, “O Traidor Contrafeito”.

Da sua admirável obra, salientam-se as séries “Ric Hochet (94 álbuns)...

“Chick Bill” (60 álbuns)...
 

...e “Le Club Peur-de-Rien” (19 álbuns).

Mas da sua extensa bibliografia, devem-se registar ainda as efémeras séries, “Aldo Remy” (3 álbuns)...

...e “Dave O’Flynn” (2 álbuns).
Pela linha realista, o seu ponto alto recai na série”Ric Hochet”, com argumentos de André-Paul Duchâteau. Felizmente, esta série continua, mas isso agora, é outra aventura...
Em tempos que já lá vão, pelo Cinema, realizou-se a única (até hoje) aventura de Ric Hochet . Foi em 1968, com produção e realização de Raymond Leblanc, a média metragem “Signé Camélion”, com o malogrado actor belga Daniel Vigo no protagonista. 
Este filme “perdeu-se”!... Até o próprio Tibet, quando esteve na Sobreda, nos confessou que não tinha sequer uma cópia deste filme!... Acontece!
Nesse filme, ele próprio e o argumentista Duchâteau participam como dois pândegos polícias...
Até lá... VIVA TIBET!
LB
Ric Hochet e o actor Daniel Vigo que lhe deu corpo no cinema

sábado, 31 de dezembro de 2016

DE ACTORES A HERÓIS DE PAPEL (13) - LUCILLE BALL

Lucille Ball (1911-1989)
É um caso raro e admirável! Ela foi (e será sempre) a bonita, talentosa e alegre actriz Lucille Ball.
Encantadora e, até certo ponto, sensual, vivaz e sempre bem disposta, avassalou qualquer espectador (pelo Palco, Tv e Cinema) com as suas deslumbrantes loucuras. Um caso extraordinário, o desta actriz!
Seu nome real, Lucille Désirée Ball. Nasceu em Nova Iorque a 6 de Agosto de 1911. Faleceu em Beverly Hills (Califórnia) a 26 de Abril de 1989.
Lucille Ball e Desy Arnaz
Foi casada com o actor cubano Desy Arnaz, com quem contracenou em alguns filmes; mais tarde, casou com o (quase jamais lembrado) actor Gary Morton... que foi quase que completamente apagado.
Se Desy Arnaz foi um actor medíocre, Gary, então...nem conta! Mas Lucille é que contou (e conta) sempre.
Traída pelo seu coração aos 77 anos, pouco tempo antes, a 29 de Março de 1989, na sua última aparição em público, na 61.ª entrega do famoso “Oscar”, ela e o seu amigo e colega Bob Hope, foram longamente aplaudidos de pé!
Pelo Cinema, de entre tantos filmes em que participou, salientam-se: “Du Barry Era Uma Senhora” (1943), com Red Skelton e Gene Kelly; “A Mulher e a Mentira” (1946), “O Homem das Calças Pardas” (1950), com Bob Hope; “Lua-de-Mel Agitada” (1953), com Desy Arnaz; “O Crítico da Família” (1963), com Bob Hope; “Os Teus, os Meus e os Nossos” (1968), com Henry Fonda e Van Johnson; “Mame” (1974);
“Three For Two” (1975), com Jackie Gleason; e, “Stone Pillow (1985).
É porém em “Os Teus, os Meus e os Nossos”, que encontramos um momento magnífico, antológico e hilariante do seu incontestável talento: a bebedeira que ela  “apanha”, demonstrando momentos altos e impagáveis, jamais registados por uma actriz. Ah, grande Lucille!

Pela Televisão teve os seus próprios programas, como “I Love Lucy”, “The Lucy Show” ou “Here’s Lucy”.
Lucille Ball tem pelo menos duas estátuas: uma no Memorial Park de Nova Iorque e outra em Palm Springs (Califórnia). E a Filatelia norte-americana homenageou-a com dois selos com o seu rosto.
Estátua de Lucille Ball no Memorial Park, da escultora Carolyn Palmer

Obviamente, não foi esquecida pela Banda Desenhada. Apresentamos aqui uns quantos exemplos, dos quais, infelizmente e até agora, não conseguimos detectar os nomes de alguns desenhistas... O importante é que o seu talento e a sua pessoa ficaram registados na 9.ª Arte. Tomara nós, em Portugal, que também fôssemos capazes de seguir estas apostas para com, por exemplo, Laura Alves, Ivone Silva e Aida Baptista...  Pois, pois!...
LB


"The Road to Stardom", cujo autor não identificamos, in "Feature Films" Edição: DC Comics (1950)

Tiras de "I Love Lucy", publicadas pela primeira vez em 1952, em jornais norte-americanos, com texto de Lawrence Nadle e desenhos de Bob Oksner (os dois autores assinavam as tiras como Bob Lawrence). Patricia Oksner, a mulher de Bob, era, por vezes, responsável pelos cenários da série.



 
"Suds in your eyes", de autor que também não identificámos,
in "I Love Lucy Comics" #535 - Edição: Dell Comics (1954)

"I Love Lucy", cujo autor também não conseguimos identificar
(será, possivelmente, o mesmo do exemplo anterior) - Edição: DC Comics


Mais recentemente, em 2011, Patricio Carbajal e James Reed, a propósito do centenário de Lucille Ball, realizaram para a Bluewater Comics um trabalho sobre esta actriz, inserido numa colecção de biografias em banda desenhada de personalidades famosas.

Um magnífico esboço a lápis de Lucille Ball, pela mão de Patricio Carbajal