terça-feira, 6 de dezembro de 2016

NOVIDADES EDITORIAIS (107)

L’OR DE SATURNE - Edição Casterman. Segundo o saudoso mestre Jacques Martin, tem argumento de Pierre Valmour e Marco Venanzi, sendo este também o desenhista. Cores de Mathieu Barthelemy.
“L’Or de Saturne” é o 35.º tomo da sempre tão aplaudida série “Alix”.
Esta narrativa está muito bem concebida, situada nos tempos da guerra civil entre Júlio César e Pompeu. Não faltam aqui as abusivas intrigas, conspirações, traições, mortes e outros crimes, como o roubo do ouro sagrado no templo de Saturno, donde as urdidas e venenosas acusações contra Alix Enak, cedo acusados como sendo os responsáveis por tal...
Com pleno entusiasmo, este tomo, lê-se de um fôlego!


A TERRA PROMETIDA - Edição Asa. Argumento de Achdé (aliás, Hervé Darmeton) e arte de Jul (aliás, Julien Berjeaut), segundo o saudoso Morris. Tradução de Ana Cristina Gonçalves. É o mais recente álbum da tão mais do que popular série “”Lucky Luke”.
Desta vez entram em cena os judeus, tentando estabelecer-se algures nos Estados Unidos da América do Norte.... Pois!...
Uma pequena família, sob protecção de Lucky Luke, atravessa “as pradarias” para um certo destino... Mas esta bizarra epopeia dá cá umas confusões!....
Obra absolutamente bem cómica, marcando-se como um dos mais divertidos e conseguidos álbuns, entre os mais recentes desta série.
Uma sempre marcada ironia social, aqui se devem registar na comicidade do álbum, os comentários dos bovinos e dos cavalos, aqui com o que bem pensa o notável Joly  Jumper....


LE MONDE D’APRÈS - Éditions Casterman. Autor: Jean-Christophe Chauzi.
É a segunda parte do tema amargo e inquietante que se iniciou no tomo anterior, “Le Reste du Monde”...
Há uma ameaça que paira bem em cima de nós todos, sem as fantasias de visitas e etc, de imaginados extraterrestres...
Aqui, o nosso mundo está devastado e caótico após catástrofes aparentemente naturais...
Caminhando isolados através de uma imensa e inóspita paisagem, uma heróica jovem mãe, os seus dois filhos e um adolescente amigo da família, mais ainda um espantoso fiel cão, tentam sobreviver e achar um final feliz e de paz.
Mas tal não será nada fácil e alguns não chegarão ao fim...
Intensamente dramática, eis uma história que não deixa de ser belamente emotiva. Aplausos!
LB

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

OBRAS RARAS (7)

Edouard Aidans e Yves Duval
DESTINATION DESERTAS
Com arte do belga Edouard Aidans (sob argumento de Yves Duval), é um álbum da série “Les Franval” que, muito particularmente nos emociona, pois é localizado em Lisboa e no Arquipélago da Madeira.
Pressupõe-se que Aidans tenha visitado os espaços portugueses que retrata nesta sua obra... O que não acatamos bem, é que este álbum não exista editado no nosso País!!!...
Que tristeza: os estrangeiros divulgam-nos e elogiam-nos e nós, em contrapartida, assobiamos para o lado e com a mais opaca “vista grossa”!... E, com esta alfinetada, mais não dizemos por esta falha, não vá o Diabo tecê-las!
Acrescentamos apenas que esta aventura da família Franval, foi pela primeira vez publicada na Bélgica (Ed. Lombard) em 1967.
E, se as Câmaras Municipais de Lisboa e do Funchal, projectassem e apoiassem uma (pelo menos) edição deste álbum dos talentosos Aidans e Duval em português?...  Que haja menos “lagosta ao pequeno almoço” e mais sensibilidade actuante pelo que é devido!




Jean-Claude Forest
LA JONQUE FANTÔME VUE DE L’ORCHESTRE
O título da obra é um tanto esticado, mas a obra é um fabuloso espanto! É da autoria do grande e saudoso francês Jean-Claude Forest (1930-1998).
Obra belíssima e especial, leva-nos maravilhados, pelo enredo e pelo traço, às fantasias absolutas e encantadoras, do insólito, do erotismo, da poesia, etc.
Dir-se-ia que é pecaminoso não se conhecer e não se vibrar com este portentoso e pertinente exemplo da Banda Desenhada Europeia!
O álbum foi publicado pela Casterman, ficando cedo esgotado, tendo sido reeditado em 2002.
Em Portugal... é aquele lamento de Camões: “ò vil tristeza!”... Ou será vil mesquinhez , que o Poeta quis dizer?




Eddy Paape e André-Paul Duchateau
LA MONTRE AUX 7 RUBIS
Os títulos da obra (La Montre Aux 7 Rubis) e o da série (Udolfo), resumem-se a um único álbum.
Ficou-se, infelizmente, por aí...
No entanto e resumindo, tudo se regista assim ante esta estranha raridade.
Tem argumento de André-Paul Duchâteau e arte de Eddy Paape (com a colaboração do colega alemão Andreas) e foi publicado na edição belga de “Tintin”, em 1978, e na edição portuguesa, em 1980. Pela versão álbum, em português, não consta que exista.
Terá sido em 1980 que esta narrativa surgiu em versão álbum (em francês)... que é difícil de se encontrar.
Por aqui, a arte de Paape e muito apreciável e o argumento de Duchâteau mergulha-nos naquela fronteira esquisita entre este mundo e... e o outro!...
LB

terça-feira, 29 de novembro de 2016

BREVES (35)

A ARTE DA CAPA EM EXPOSIÇÃO
A arte da capa é baseada no equilíbrio, sempre difícil de alcançar, entre os desejos do autor, do editor e do director de arte e de marketing.
Devemos primeiro chamar a atenção do potencial comprador, ou favorecer o trabalho artístico fazendo justiça à história em imagens?
Este dilema entre autores e editores é o tema duma grande exposição interactiva que se encontra patente no Centro Belga de Banda Desenhada, em Bruxelas, até 28 de Maio próximo e à qual, naturalmente, aconselhamos uma visita.


BANDA ESCRITA ATÉ SÁBADO NA AMADORA
Até ao próximo dia 3 de Dezembro (sábado), ainda está a tempo de visitar uma outra exposição - esta bem mais próxima - a decorrer na Bedeteca da Amadora (sita na Av.ª Conde Castro Guimarães, n.º 6 - Venteira - Amadora), sob o tema "Banda Escrita: Rui Zink", onde se dá ênfase ao trabalho deste argumentista.
Horário de abertura: entre as 10:00 e as 18:00 h.
Contacto da Bedeteca: 214 369 054

REVELADO O CARTAZ DO 44.º FESTIVAL BD DE ANGOULÊME 2017
Foi divulgado, há poucos dias, o cartaz oficial do 44.º Festival BD de Angoulême, que decorrerá naquela cidade francesa, entre 26 e 29 de janeiro do próximo ano.
Trata-se de um desenho de Hermann (autor homenageado na última edição do festival e que, por essa razão, ficou com a responsabilidade de criar a imagem gráfica para 2017) que surpreende pelo formato pouco habitual - ao baixo - que o artista utilizou.
Ao site oficial do Festival, Hermann revelou alguns detalhes sobre o processo de criação desta imagem:
«Não tinha vontade de usar os meus personagens no cartaz; eu não queria que eles "encarnassem" a banda desenhada. Tive, então, esta ideia de alegoria: uma vinheta em que repousariam os couvre-chefs dos meus personagens mais célebres, como um convite a tomar o seu lugar. Essa vinheta, é a banda desenhada, é Angoulême, é a imaginação, é o que quiserem. É, sobretudo, um convite a representar. A ideia bem me agradava, mas sem personagens poderia, eventualmente, redundar numa imagem um pouco vazia, um pouco triste. Decidi, então, esticar a ilustração para formato cinemascope e colocar no cenário um ou dois personagens que não entintei, de modo a que a sua presença fosse discreta».



ANIVERSÁRIOS EM DEZEMBRO
Dia 01 - Joe Quesada (estado-unidense)
Dia 13 - Leo (brasileiro) e José Carlos Francisco (“Tex”) 
Dia 17 - Fabrice Néaud (francês)
Dia 25 - Irene Trigo

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

EVOCANDO (21)... MIGUEL DE CERVANTES


Miguel de Cervantes (1547-1616)
Há valores indestrutíveis e inapagáveis na História da Humanidade...
Este tema teria pano para mangas e, claro, não vamos agora por aí. Mas acontece que 2016 regista o centenário do falecimento de dois grandiosos vultos da Literatura mundial: o inglês William Shakespeare (já aqui o focámos no nosso post com data de 21 de Maio de 2015) e o espanhol Miguel de Cervantes.
Ambos faleceram em Abril de 1616, com um dia de diferença: Cervantes a 22 e Shakespeare no dia seguinte.
Miguel de Cervantes y Saavedra, nasceu em Alcalá de Henares a 29 de Setembro de 1547, tendo falecido em Madrid a 22 de Abril de 1616, como já dissemos.
De 1581 a 1583, viveu em Lisboa, donde registos seus pela admiração que tinha pela beleza da mulher portuguesa, e daí o seu dito: “Para festas Milão, para amores a Lusitânia”...
Teve uma vida agitada, aventurosa e donjuanesca. Criou obra literária admirável, mas o seu texto de honra recai para sempre no romance “Don Quijote de la Mancha”, o cavaleiro da triste figura.
Obra imensa, tem sido adaptada a diversas Artes, tamanho é o furor que suscita e seduz: Teatro, Cinema, Televisão, Bailado, Ópera, Banda Desenhada e por aí adiante.
Aliás, a vida aventurosa de Miguel de Cervantes e a alucinante de Dom Quixote, quase se confundem... Um e outro parecem o mesmo personagem, com uma versão a sério  e na outra, como se fosse em pessoal caricatura...
Curioso que na versão opereta, “O Homem da Mancha”, o mesmo actor viveu em cena os três personagens: Miguel de Cervantes, Alonso Quijana Don Quijote.
Cartaz de "Man of la Mancha",
com Peter O'Toole e Sofia Loren
(1972)
Por exemplo, em Espanha, foi o actor Claudio Brook (ao lado de Nati Mistral e Marco Antonio  Saldaña); em França, foi Jacques Brel (ao lado de Joan Diener); no Cinema, foi Peter O’Toole (ao lado de Sofia Loren e James Coco).
A 18 de Maio de 1967, a versão teatral de “Dom Quixote” pelo francês Yves Jamiaque foi levada à cena com estrondoso êxito pela companhia Teatro Experimental de Cascais, com encenação de Carlos Avilez e, nos principais
papéis, Santos Manuel (Dom Quixote), Ruy de Matos (Sancho Pança), Maria do Céu Guerra (Dulcineia) e Mirita Casimiro (Sancha).
Com encenação de Carlos Carvalheiro, a companhia teatral Fatias de Cá, de Tomar (reservas@fatiasdeca.net ou 960303501), tem em cena um espectáculo teatral versando esta obra de Cervantes, com Humberto Machado (Dom Quixote) e Luís Mourão (Sancho Pança).
Das várias versões Cinema /Televisão, destaca-se o filme “Cervantes”, realizado em 1967 por Vincent Sherman, com Horst Buchholz e Gina Lollobrigida.
Também o cinema de animação tratou de adaptar o Quixote, existindo várias versões desta obra sendo a mais conhecida aquela que a RTP passou nos anos 80, produzida por José Javier Romagosa e Cruz Delgado. 
Genérico de abertura da excelente série de animação
"Don Quijote De La Mancha" produzida para a TVE (1979)

O Bailado não ficou indiferente a “Dom Quixote”, donde por exemplo, uma coreografia por Rudolf Nureyev. E, na Ópera, em 1910, estreou-se em Monte Carlo, com partitura de Jules Massenet.
Claro que a Pintura e a Escultura também têm registado as devidas e perenes homenagens ao grande escritor. Pela Escultura, há quatro exemplos notáveis: as estátuas de Miguel de Cervantes em Valladolid e em Toledo; e as estátuas com “Dom Quixote e Sancho Pança” em Madrid (na Plaza de España) e em Alcalá de Henares (na Calle Mayor).
Por fim, cá temos a incontornável Banda Desenhada:
1 – Referente à biografia  de Cervantes, apenas sabemos até agora, de duas versões: “Cervantes” por Liliane e Fred Funcken, publicada no “Tintin” (belga) em 1956...
"Cervantes", por Liliane e Fred Funcken, in "Tintin" (1956)

...e “Miguel de Cervantes e Saavedra”, da autoria do nosso Manuel Ferreira, publicada no n.º 1 da revista “Pisca-Pisca” em 1968.
"Miguel de Cervantes e Saavedra". por Manuel Ferreira, in "Pisca-Pisca" #1 (1968)

Pela Didáctica Editora, existe ainda a publicação “Chamo-me... Miguel  de Cervantes”, com texto de Antonio Tello e ilustrações de Òscar Julve.
"Chamo-me... Miguel de Cervantes", por Antonio Tello e Òscar Julve
Didáctica Editora

2 – Quanto às adaptações à BD de “D. Quixote”... há uma boa e imensa dose de autores de diversos países (mas não consta nenhum português!...), dos quais salientamos, apenas como breves exemplos os francófonos Auguste
Liquois...
"Don Quichotte", por Auguste Liquois - Ed. Prifo (1977)

Jean Trubert...
"Don Quixote", por Jean Trubert

...e uma adaptação de Philippe Chanoinat e Jean-Blaise Djian, desenhada por Dépé.
"Don Quichotte", por Chanoinat, Djian e Dépé - Ed. Glénat (2010)

O norte-americano Will Eisner também adaptou esta obra.
Capa de "The Last Knight", por Will Eisner - edição NBM
...e duas pranchas da edição espanhola lançada pela Norma Editorial.

Na revista "Classics Ilustrateds" #11 (1943), uma criação de Louis Zansky, com capa de Mort Kunstler...
"Don Quixote", por Louis Zansky, in "Classics Ilustrated" #11 (1943)
Capa de Mort Kunstler

O grande desenhador espanhol Victor de la Fuente também nos deixou a sua versão desta obra.
"Don Quijote", por Victor de la Fuente.

Nos anos 70, uma adaptação que teve como curiosidade o facto de os cenários serem fotografias dos locais onde decorre o enredo. Os seus autores foram A. Albarrán e Juan Sarompas (desenhos), A. Perera, Luis Herráez e Tomas Burgos (cor), Antonio A. Arias (texto) e José Luis Rodrigues (fotos).
Duas capas de outras tantas edições desta curiosa versão: a primeira da Sedmay Ediciones e a segunda das Ediciones Maranco S.A. (1971)...
...e duas pranchas (infelizmente com pouca definição).

Jan...
Vinheta de Jan

J. Espinosa (desenhos) e E. Sotillos (texto)
"El Junior Cómic de el Quijote", por E. Sotillos (texto) e J. Espinosa (desenhos),
Ed. Libro Hobby (2005)

Juan Garcia Quiros...
"Don Quijote de la Mancha", por Juan Garcia Quiros, in "Joyas Literarias Juveniles" #98 (1974)

Carlos Castaing e Patricio Diaz...
"Don Quijote de la Mancha", por Carlos Castaing (adaptação) e Patricio Diaz (desenhos),
Castaing & Von Der Hundt Ediciones (Espanha)

Nos famosos estúdios de Francisco Ibañez, um dos seus colaboradores, Luis Sagasti Iruzubieta, desenhou esta capa para um dos volumes da revista "Super Humor", com Mortadelo e Otílio no papel de D. Quixote e Sancho Pança, respectivamente.
Capa de "Super Humor"

Esta outra capa, da revista "Mortadelo Extra" #21, também dos estúdios de Ibañez, tem detalhes absolutamente delirantes...
Capa de "Mortadelo Extra" #21

Durante as comemorações do quarto centenário da publicação da primeira parte de "D. Quixote", Ibañez aproveitou para lançar uma paródia/homenagem a este romance, no seu inconfundível estilo humorístico, com Mortadelo e Filemon como personagens principais...
Capa de "Mortadelo de la Mancha" (Ed. Magos del Humor, 2004)

Vinhetas de "Mortadelo de la Mancha"

E, por fim, a adaptação para BD da série de animação a que acima nos referimos, em vários fascículos, com textos de Gustavo Alcalde e desenhos de Cruz Delgado.
"Don Quijote de la Mancha", por Gustavo Alcalde e Cruz Delgado,
Editorial Bruguera (1979)

Para finalizar, dois apontamentos curiosos: na aventura "Astérix na Hispânia", Uderzo e Goscinny parodiam D. Quixote e Sancho Pança colocando esses personagens numa vinheta.

Por sua vez, Cisco Kid e Jerry Spring bem podem ser considerados como dois alter-egos do Quixote pois que também eles têm dois gordos e alegres companheiros de aventuras (Sancho e Pancho, respectivamente) que até no nome têm semelhanças com o simpático parceiro do cavaleiro da triste figura original.

E pronto! Aqui fica registada a nossa sentida evocação, se bem que focando apenas aspectos essenciais, a Miguel de Cervantes e o seu admirável “Dom Quixote”, no ano em que passa o quarto centenário sobre o seu falecimento.

Agradecemos o apoio amigo prestado por Carlos Gonçalves.
LB


Estátuas de Dom Quixote e Sancho Pança, em Madrid